Delação de Silval e de ex-assessor estão ameaçadas devido a gravação em áudio

cerca de mil cidadãos envolvidos no ‘assembleia itinerante em ação’

O ex-chefe de gabinete Silvio Corrêa, foi gravado em áudio que pode acabar anulando a sua e a delação "monstruosa" do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e de seus familiares. Corrêa foi o delator que gravou políticos de Mato Groso recebendo maços de dinheiro vivo.
A gravação foi feita em 28 de agosto pelo ex-secretário de Indústria e Comércio do Estado, Alan Zanatta. No áudio, Corrêa cita indícios de omissão de informações sobre práticas de crimes no processo de negociação do acordo com Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República.
No áudio o ex-chefe de gabinete, afirma que o montante que teria de devolver aos cofres públicos (R$ 500 mil), seria pago pelo ex-governador, diferente do que consta no acordo de delação.
Corrêa ocultou também um garimpo, que ele assume ser dono na gravação.
"O momento é complicado para todo mundo. Mas, também acho que ele não tem essa mobilidade que ele tinha antigamente. Mas pelo menos tô com um garimpo né", diz trecho do áudio.
O delator ainda afirma que falou em sua delação "coisas que quis". "Só isso, só isso e falei algumas coisas que eu quis. Só."
Corrêa diz também que o ex-governador, não possui nenhuma prova. Em outro trecho da gravação, o delator explica para Zanatta que Silval chegou a falar para um de seus funcionários conhecido como Coxinha: "Ele [Silval] falou pro Coxinha: 'se me prender, pode ficar tranquilo, que eu tenho… tô com a mala pronta, tá com documentos, no outro dia todo mundo cai'."
O atual prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), segundo o delator, foi gravado em contexto diferente e que foi incluído na delação para as denúncias ganharem mais visibilidade.
O áudio foi apreendido na casa do prefeito durante a 12ª Fase da Operação Ararath, denominada Malebolge.
Respostas
Zanatta disse que realizou a gravação para se proteger de uma eventual gravação em seu desfavor.
Já a defesa do prefeito Emanuel Pinheiro disse, por meio de nota, que o prefeito, assim que soube da gravação, decidiu utilizar o áudio em sua defesa no STF (Supremo Tribunal Federal).
A defesa de Corrêa afirma "que todos os fatos foram devidamente relatados em seu acordo de colaboração, conforme determina a lei.
Não houve reserva mental, tampouco apresentação de provas ou fatos divergentes da realidade".
E ainda alegam não ter conhecimento da gravação.