O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quarta-feira (8) que, apesar da alta da inflação nos últimos 12 meses, a queda do índice é uma certeza e o que preocupa é o risco de retração total da economia no futuro. “Não há duvida sobre isso [queda da inflação] porque não tem inflação de demanda, mas de preço administrado, e os preços já foram corrigidos”, acrescentou.
Segundo Cunha, o que preocupa é o conjunto da economia. “O conjunto da retração da economia [necessário] não é benefício para o país. Tanto o governo sabe disso que lançou o Programa de Proteção do Emprego”, afirmou Cunha.
Nesta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrando o mais elevado índice acumulado em 12 meses, desde dezembro de 2003. Segundo o levantamento, a inflação no período encerrado em junho último, chegou a 8,89%. Em 2003, foi 9,3%.
O presidente da República em exercício, Michel Temer, disse que o governo acredita na reversão em “breve tempo” da má situação econômica. Mas preferiu não arriscar se essa melhora ocorrerá ainda neste ano.
Temer, que estava na Câmara participando de uma homenagem ao ex-deputado Paes de Andrade, explicou que o cenário econômico apontado pelo IBGE foi o que motivou as medidas adotadas recentemente pelo governo. “Por isso é que o governo está cuidando de fazer um ajuste fiscal e econômico, exatamente tendo em vista essas circunstâncias”.
O presidente em exercício acrescentou que o governo não ignora as dificuldades em relação à economia e considera esses obstáculos transitórios. “Essas medidas todas que estão sendo tomadas pelo Executivo, volto a dizer, com o apoio explícito do Congresso Nacional, é que reverterão essa tendência. Não tenho a menor dúvida disso”.
Remédio para conter preços é credibilidade, diz presidente nacional do DEM
Para o presidente nacional do DEM, Agripino Maia (RN), um dos principais motivos para os índices de inflação estarem nos atuais níveis é a falta de credibilidade do governo Dilma Rousseff no cenário nacional e internacional. “A inflação do Brasil, infelizmente, está resistindo ao grande e único remédio que o governo do PT vem aplicando: a elevação da taxa de juros. Mesmo assim, a inflação não cede porque está faltando o principal remédio para conter a elevação de preços, que é a credibilidade de governo”.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), rebateu a crítica e disse que o governo trabalha e que a base fez tudo o que foi pedido para ajudar na tramitação das medidas enviadas ao Congresso. Segundo o petista, a votação do ajuste fiscal deve ser concluída nos próximos dias. “A agenda agora é outra. É o emprego, o crescimento, é aquilo que estamos trabalhando para virar essa página do ajuste”.
















