A Suprema Corte do Afeganistão confirmou as sentenças de entre 10 e 20 anos de prisão para 13 condenados pelo linchamento de uma mulher acusada de queimar o Corão, cuja morte desencadeou uma enérgica condenação dentro e fora do país.
O órgão judicial confirmou a condenação a 20 anos de prisão para três dos sentenciados, 16 anos para outros nove e 10 para um, disse nesta terça-feira à Agência Efe o porta-voz do Escritório do procurador-geral do Afeganistão, Basir Azizi.
"A resolução do Tribunal Supremo sobre estas 13 pessoas está finalizada e o veredicto foi entregue ao escritório do promotor para seu cumprimento", afirmou o porta-voz, ao explicar que os 13 condenados já não podem recorrer a sentença.
O Supremo ainda deverá se pronunciar sobre outros culpados, cujo número não foi confirmado, condenados em tribunais de primeira instância e de apelação a 16 anos de prisão.
Azizi indicou que o alto tribunal pediu à procuradoria mais informação e interrogatórios destes outros condenados.
Em frente a um santuário em Cabul, o grupo espancou até a morte, queimou seu corpo e o jogou em um rio, em março do ano passado, a mulher de 27 anos chamada Farkhunda.
Inicialmente, a jovem foi acusada de queimar uma cópia do Corão, mas as investigações concluíram que tinha sido vítima de videntes que incitaram as pessoas porque ela tinha denunciado que eles enganavam aos crentes.
O linchamento provocou vários protestos populares, e foi condenado pela ONU e organizações de direitos humanos, enquanto o governo afegão constituiu uma comissão de investigação e proibiu os grupos "obscurantistas" em todo o país.
Em maio do ano passado, um tribunal condenou quatro homens à morte e outros 9 a 16 anos de prisão, enquanto 18 foram absolvidos e 11 policiais foram condenados a um ano de prisão por negligência.
Dois meses depois, um tribunal de apelações reduziu para 20 anos de prisão três das penas de morte e a quarta a 10 anos.


















