Correios em crise fecham agências e encomendas não chegam

correios em crise fecham agências e encomendas não chegam

Há uma crise sem fim nosCorreios, uma empresa que tinha selo de qualidade e, agora, virou dor de cabeça para os brasileiros. Por todo o Brasil, os carteiros estão sumindo, as encomendas não chegam e agências anunciam fechamento.

A empresa está mergulhada em dívidas e é alvo de críticas pela gestão política. Uma empresa que levou o título de mais confiável do país. A própria figura do carteiro sempre inspirou em nós essa confiança, credibilidade, mas agora a realidade é bem outra.

Os tempos são outros. Aquele carteiro que a gente topava com ele na rua todo dia, não tem mais. EmSão José do Rio Preto, interior de São Paulo, ele só vai de casa em casa no sábado.

EmPoços de Caldas, interior de Minas, é dia sim, dia não. E não é preguiça do carteiro, é decisão dos Correios.

Já no Rio, em Benfica, cada um virou carteiro de si mesmo. Correspondência, só indo na agência. E o pessoal atrasa conta.

Está faltando carteiro e está faltando agência. A 15 quilômetros do centro do Brasília, para a professora Sara Bianciotto o que tem atrasado não é conta, são as cartas para a avó, lá da Itália.

“É difícil, não tem uma agência próxima aqui, seria muito mais fácil ter uma agência próxima da gente”, diz Sara.

Não tem e não vai ter. Pelo contrário. Os Correios estão é fechando agências. Só um exemplo: emCaxias do Sul, na Serra Gaúcha, uma agência de mais de 40 anos vai deixar de existir. Outras duas também encerram os trabalhos até junho.

“Não só a minha comunidade, como toda ao redor, porque tem muita gente que pega a correspondência aqui, vai ser bem complicado”, queixa-se a agricultora Deise Valentin.

O que levou a empresa com o título de mais confiável do país a uma crise dessas? A empresa disse que teve prejuízo de R$ 2 bilhões em 2015 e quase isso em 2016. E em janeiro e fevereiro deste ano, vermelho de novo.

A atual direção justifica que a atividade postal está em decadência, que as tarifas postais ficaram anos congeladas por causa da inflação e que a empresa não avançou para outra área de atuação como fizeram as do mesmo ramo no mundo.

“Hoje a atividade postal se restringe basicamente às comunicações judiciais e as operações comerciais, boleto, cobranças. Fora disso, a atividade mudou e mudou muito, com uma grande queda nos nossos serviços”, disse o presidente dos Correios, Guilherme Campos.

Perguntamos ao presidente, também, se a crise dos Correios tem a ver com os gestores que partidos políticos sempre puderam indicar para os cargos de direção.

“Eu sou suspeito de falar, sou uma indicação política, assim como o foram, ao longo dos 354 anos de história dos Correios, indicações políticas. É uma empresa pública. Vamos acabar com as indicações políticas só privatizando”, afirmou Guilherme Campos.

O presidente foi uma escolha doPSD, um dos aliados do governo Temer.

Este ano a Justiça chegou a afastar seis vice-presidentes por falta de comprovação de qualificação técnica. Mas eles voltaram aos postos também por decisão judicial.

Para a Federação dos Empregados, o preenchimento dos cargos por políticos colaborou para a ruína da empresa.

“Entra partido e sai partido e os Correios não conseguem se manter num foco, num alinhamento realmente de empresa, a qual ela hoje é considerada uma empresa mundial. O problema é o trabalhador? Não, o problema não é o trabalhador, o problema é a administração, que infelizmente não segue o que deveria ser feito, realmente, para manter essa empresa sustentável”, diz Susy Cristiny, da Federação Nacional dos Empregados dos Correios.

As férias de quem trabalha nos Correios foram suspensas por um ano. Foi aberto um programa de demissão incentivada. Saíram 5,5 mil servidores. Só que eram esperados 8 mil. Agora a empresa fala em demissão motivada. A forma está sendo estudada e os representantes dos trabalhadores já foram avisados. Para eles, isso é um assédio moral e que vai abrir um precedente para outros concursados de outras estatais. Isso em um cenário que já tem carteiro há seis meses fazendo sozinho o trabalho de três pessoas.

“Falta um companheiro meu, eles me tiram do bairro em que eu estou e me mandam para outro. Eu faço aquele bairro, termino aquele bairro, volto para o meu bairro acumulado. Ao longo do tempo, vai desgastando a gente e a gente vai tendo problema de saúde”, reclama um carteiro.

O presidente dos Correios disse que, hoje, dois terços da receita da empresa são usados para pagar despesas com pessoal.