O corpo de um bebê albino, de 18 meses, roubado no sábado passado no norte da Tanzânia, foi encontrado mutilado em uma floresta, anunciou a polícia nesta quarta-feira.
Os albinos são alvos de ataques frequentes no norte deste país do leste da África, vítimas de crença que atribuem virtudes mágicas a seus órgãos, cobiçados para os rituais de bruxaria.
Os órgãos de pessoas albinas são vendidos por US$ 600 (R$ 1703) no país e um corpo inteiro pode alcançar um valor de venda de US$ 75 mil (R$ 212 mil), segundo Alicia Londoño, uma especialista na situação dos albinos no departamento de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). De acordo com Joseph Konyo, chefe de polícia da região de Geita (mil km ao noroeste de Dar es Salaam), duas pessoas, incluindo o pai da criança, estão sendo investigadas.
"Os ataques, motivados pelo uso de partes do corpo em rituais, custaram a vida de 74 pessoas na Tanzânia desde o ano 2000 e são acompanhados por um alto grau de impunidade", denunciou Álvaro Rodríguez, representante da ONU no país.
Enquanto a anomalia genética não afeta mais que um ocidental a cada 20 mil, um tanzaniano em cada 1.400 sofre o problema, principalmente pelos matrimônios consanguíneos, segundo Londoño.


















