Caçada a Bin Laden no Paquistão foi uma farsa, diz jornalista

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O jornalista americano Seymour Hersh, ganhador de um prêmio Pulitzer, afirmou que os Estados Unidos mentiram sobre a operação que levou à morte de Osama bin Laden, e que o antigo comandante da Al Qaeda estava "inválido" e desarmado durante o ataque de 2011. Segundo ele, "a história da Casa Branca poderia ter sido escrita por Lewis Carroll" – o autor de 'Alice no País das Maravilhas'.

Em um artigo na revista London Review of Book, Hersh coloca em xeque a versão oficial divulgada pelo presidente Barack Obama de que a operação que localizou Bin Laden – conduzida por membros da Seal, força especial da Marinha dos Estados Unidos – foi uma incursão secreta no Paquistão. O jornalista afirma que o terrorista já era prisioneiro dos serviços de inteligência paquistaneses havia cinco anos e que os agentes teriam fornecido a informação de seu paradeiro aos americanos, e os acompanhado até o local, em Abbottabad, no norte do país.

A reportagem cita um oficial aposentado da inteligência dos EUA como principal fonte das informações, porém não indica seu nome. Segundo ele, as afirmações divulgadas pelos americanos de que Bin Laden ainda comandava e recebia informações da Al Qaeda eram "mentiras, distorções e traição". "A Casa Branca teve de dar a impressão de que Bin Laden ainda era operacionalmente importante", disse o oficial, segundo a reportagem de Hersh.

A versão de Hersh também contradiz as declarações de que a pequena equipe de oficiais americanos que invadiu o complexo de Abbottabad, onde Osama estava escondido, teve de trocar tiros com seus apoiadores. Segundo Hersh, os únicos disparos foram os que mataram o terrorista. Para o oficial não identificado, o que ocorreu "foi claramente e absolutamente um assassinato premeditado".

Em declaração ao jornal Washington Post, o oficial da agência de inteligência americana (CIA, na sigla em inglês), Ned Price, afirmou que a história de Seymour Hersh é "um absurdo" e cheia de "imprecisões e afirmações sem fundamento" para checar cada uma delas. O porta-voz também reforçou as declarações dadas após a morte de Osama, em maio de 2011, dizendo que a operação foi conduzida de forma extremamente sigilosa, e que outros governos, até mesmo o do Paquistão, não foram informados sobre nada até que a ação estivesse concluída.