Brasil aumenta a produção de agrotóxico que pode diminuir os órgãos genitais masculino

O único país sob a tutela do tratado que tem permissão para produzir o pesticida usado contra formigas é o Brasil.Foto: banco de imagens

Sabemos que o Brasil é o líder do ranking mundial de consumo de agrotóxicos, fato diretamente relacionado à política agrícola do país, baseada no agronegócio. Este modelo de produção se caracteriza pela concentração de terras, monoculturas e utilização de enormes quantidades de veneno para garantir a produção em escala industrial.

A resistência da sociedade civil ao uso de agrotóxicos em todo o mundo, baseada no movimento de agricultura alternativa, é histórica. Mais em terra “Brasilis” nossos políticos continuam de forma desacerbada a permissão de agrotóxicos banidos até mesmo pela União Europeia.

Tudo isso tem sido noticiado de forma corriqueira pelos meios de comunicação, mas agora vamos falar de um poluente específico que talvez você ainda não conheça: o pesticida sulfluramida. Apesar de ser evitada em vários países do mundo, está substância está na lista da Anvisa de Ingredientes Ativos de Uso Autorizado no Brasil – Conforme o site o componente químico é usado no país e ainda exportado.

Uma reportagem do The Intercept Brasil denuncia que o pesticida ao se degradar se transforma-se em um ácido (PFOS) que possui relação com diversos problemas de saúde sendo esse ácido ligado ao baixo peso de recém-nascidos, infertilidade, enfraquecimento da imunidade, a efeitos hepáticos, ao colesterol elevado, à disfunção da tiróide, aos cânceres e a outros problemas de saúde.

Segundo o artigo, nos 182 países que fazem parte da Convenção de Estocolmo, o uso de PFOS foi duramente restringido desde 2009. O único país sob a tutela do tratado que tem permissão para produzir o pesticida usado contra formigas é o Brasil e ainda consegue exportá-lo, pois o acordo na convenção restringe o PFOS, mas não faz menção à sulfluramida, que hoje é amplamente usada em países como Uruguai, Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia e Venezuela, entre outros países.

O curioso foi o que um estudo publicado em 2018 mostrou que esse mesmo ácido, além de diminuir a qualidade do  sêmen masculino, também foi responsável pela redução do tamanho do órgão genital. Sim, os seus testículos podem perder volume e o comprimento do seu pênis pode ficar menor com a ação desse agrotóxico.

O estudo cobriu uma área de 150km2 nas províncias de Vicenza, Pádua e parte de Verona  e comparou jovens expostos com jovens não expostos ao ácido PFOS resultante da degradação do pesticida. O resultado apontou que os jovens expostos, além do orgão genital menor,  possuíam espermatozoides em menor quantidade (cerca de 50% a menos).