Home Ciência e Saúde Aumento de casos de dengue é esperado no verão

Aumento de casos de dengue é esperado no verão

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De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso, em 2015 foram registrados mais de 29 mil casos de dengue no estado. Esse número representa um aumento de 150,6% em um ano, se comparado com o mesmo período de 2014. A cidade de Cuiabá está entre as oito cidades com mais casos da doença do estado, sendo responsável por 3.189 casos. Além de dengue, o estado também registrou casos de infecções pelo Zika vírus e Chikungunya, o que tende a se intensificar durante o verão, devido à alta nas temperaturas e uma maior incidência de chuva.

De acordo com Dra. Natasha Slhessarenko, patologista clínica e diretora-médica do laboratório Cedic Cedilab, o verão é responsável por um aumento significativo dos casos de dengue, já que a chuva provoca uma elevação dos focos de água parada, habitat ideal para o mosquito transmissor das doenças. “A população precisa ficar atenta ao combate do mosquito Aedes aegypti. A temperatura mais elevada, maior nível de chuvas e o período de férias, são fatores que favorecem a proliferação do vetor e, consequentemente, das doenças que o inseto transmite”, afirma.

Os sintomas das três infecções são muito semelhantes, como febre, dores musculares e náuseas, por isso dependem da realização de exames para diferenciar entre as doenças e indicar o tratamento correto. “Cada uma das três patologias apresenta características distintas e impactos sociais diferentes, apesar de ter sintomas parecidos. A dengue é a mais grave, podendo levar à manifestação hemorrágica ou ao choque da dengue. A maior parte dos casos de Zika apresenta-se com manchas vermelhas no corpo, e tem um grande impacto social, ocasionado pela microcefalia. Já a Chikungunya, pode levar a dores articulares por muitos dias, meses e anos”, alerta a especialista.

Diagnóstico das infecções

São diversos os exames que podem contribuir para a avaliação e confirmação do tipo de infecção. “Para a dengue temos o hemograma, o NS1, que é o teste rápido para a pesquisa de antígeno, e a sorologia, que faz a pesquisa de anticorpos. A indicação do tipo de exame a ser solicitado varia de acordo com a evolução dos sintomas. No caso da sorologia detectam-se os anticorpos que o organismo produz em resposta a presença do vírus. O corpo pode levar até 6 dias, após o início dos sintomas, para começar a sintetizar os anticorpos. Nesta fase inicial a pesquisa do NS1 é mais fidedigna, pois já confirma a infecção a partir do 1º dia dos sintomas”, ressalta Dra. Natasha.

A sorologia também é indicada para saber se a pessoa já teve contato com o vírus, o que ajuda na prevenção de uma segunda infecção pela mesma cepa viral. “Sabe-se que a reinfecção é muito mais grave que a primeira vez da doença. A dengue hemorrágica, por exemplo, tem maior chance de se desenvolver no segundo contágio. Além disso, a dengue tem 4 tipos diferentes de vírus e todos estão em circulação no Brasil, ou seja, podemos nos infectar com a mesma doença quatro vezes, pois os anticorpos são produzidos especificamente contra cada um dos quatro tipos virais”, conclui a diretora-médica.