Audiência destaca situação da agricultura familiar em Livramento

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A falta de assistência técnica rural no campo e a não regularização fundiária de comunidades tradicionais foram alguns dos problemas relatados por pequenos produtores rurais, que participaram nesta segunda-feira (20) da audiência pública em Nossa Senhora do Livramento (a 30 km de Cuiabá) para discutir a situação da agricultura familiar no município.

Pelo menos 11 comunidades rurais da região estiveram representadas na audiência, entre elas a de Mata Cavalo de Cima, Pedra Branca, Ninho das Águias, Lavandeira, Águassu, Ribeirão da Mutuca, Capim Verde, Ponte de Estiva, Rio dos Peixes e Faval.

Presidente da Associação de Mata Cavalo de Baixo, Arlete Pereira Leite, relatou diversos problemas enfrentados pela comunidade. Entre eles, a não perfuração de dois poços, falta de energia elétrica em algumas partes da comunidade e que os moradores estão há cinco meses sem acesso a atendimento médico.

“Ainda solicitamos um trator, temos problemas com a falta de titularização da terra, de saneamento básico, de segurança e precisamos de melhorias da estrada, que só está o buraco”, declarou Arlete.

Na oportunidade, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Carlos Roberto da Costa, destacou a necessidade de se ter um planejamento estratégico para identificar problemas e fazer os encaminhamentos devidos junto às comunidades rurais.

“Por exemplo, é preciso que se defina qual o produto básico de determinada comunidade bem como a presença da assistência técnica, que ensina a plantar na nova situação de hoje, com práticas que evitem pragas como a mosca do chifre e que seja uma produção que gere renda o tempo todo, e não apenas em algumas épocas do ano”.

Já o vereador Cássio Assunção mostrou-se preocupado com a questão fundiária na cidade, uma vez que a maioria das comunidades é tradicional e os documentos em posse dessas pessoas estão em nome de avós ou bisavós, já falecidas.

“Muitos não podem fazer financiamento porque não tem documento de posse. Temos a questão ainda da regularização fundiária dos quilombolas de Mata Cavalo”, pontuou o parlamentar.

Em sua fala, o presidente do Sindicato Rural, Cleudes de Souza Ferreira pediu que as escolas rurais pudessem trazer ter uma matriz curricular voltada para o homem e a mulher do campo. “Precisamos de uma educação no campo de qualidade, que as nossas escolas rurais tragam conhecimento da nossa cultura e dos alimentos do que produzimos”, concluiu Cleudes.