O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), e o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, representando o governador Pedro Taques (PSDB), assinaram termo de cooperação técnica entre os dois Poderes para a disponibilização do aplicativo “Xô Aedes”, que vai auxiliar no combate ao mosquito causador de dengue, zika e chikungunya.
As testemunhas da assinatura foram o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, general Adriano Pereira Júnior, e o presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga (PSD). O dispositivo pode ser baixado no sistema Android, na loja do Google, gratuitamente. Em breve, estará disponível também para o sistema IOS.
Com o aplicativo, as pessoas poderão indicar os locais – por meio de fotos e mensagens – de imóveis que estão abandonados e servindo de abrigo à reprodução do mosquito Aedes aegypti. Se o GPS estiver acionado no telefone, o registro fica marcado no mapa para que os gestores visualizem e deem prosseguimento ao atendimento.
Ao salvar, as informações ficam disponíveis para o gestor, para a secretaria municipal de Saúde e para a Sala de Comando e Controle da Defesa Civil do Estado.
Durante o evento, Guilherme Maluf afirmou que o Brasil, em especial o estado de Mato Grosso, está travando uma guerra contra o Aedes aegypti, que transmite doenças que são difíceis de serem tratadas. Segundo Maluf, a Assembleia vai promover uma campanha publicitária para promover o aplicativo “Xô Aedes”.
De acordo com Maluf, a Assembleia Legislativa entrou nessa guerra em função da gravidade da proliferação das doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti em todas as regiões mato-grossenses.
“Nunca se enfrentou um problema tão grave. Infelizmente, hoje, no Brasil, já são milhares de crianças com microcefalia. O poder público e a população precisam dar um basta nisso”, disse.
Maluf citou ainda quatro projetos de lei de sua autoria que são direcionados às causas do mosquito Aedes aegypti. O PL 4/2016, por exemplo, isenta de cobrança de ICMS os repelentes de uso humano e inseticidas que combatem o mosquito, que tenham eficácia comprovada, no período de duração de surtos de dengue, zika vírus e febre chikungunya.
Outro projeto apresentado por Maluf é o de nº 135, que cria o auxílio a famílias de baixa renda que possuam filhos ou dependentes com diagnóstico clínico de microcefalia no âmbito do estado de Mato Grosso.
O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, general Adriano Pereira Júnior, afirmou que a iniciativa da Assembleia Legislativa é positiva e que o trabalho de divulgar a proliferação do Aedes aegypti, por meio do aplicativo, será fundamental otimizar as denúncias sobre possíveis focos dos mosquitos.
“O atual momento é de extrema gravidade. No final do ano passado, o Ministério da Saúde tomou a iniciativa, decretando a situação emergencial e de interesse nacional. A situação é grave. É preciso combater o mosquito. Isso não pode ser de responsabilidade somente do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais, mas de toda a sociedade e de todos os órgãos públicos e privados”, explicou Adriano Pereira.
Ele citou que, em 2014, em todo o Brasil, havia pouco mais de 100 casos de microcefalia. Em 2015, o número chegou a mais de quatro mil casos.
“Tínhamos poucas fontes de vírus. Hoje, temos o zika espalhado em vários estados brasileiros. A sociedade tem que se unir. A Assembleia Legislativa se unindo dessa forma é mais uma fonte de motivação. Todos têm que trabalhar para isso”, afirmou Adriano Pereira.
O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, disse que o estado está empenhado na erradicação dos focos dos mosquitos Aedes aegypti em todos os 141 municípios mato-grossenses.
“A Assembleia está atenta à ordem do dia e o foco é acabar com a proliferação dos mosquitos Aedes aegypti. Por isso, o governo já repassou cerca de R$ 20 milhões para a maioria das 141 prefeituras, e está concedendo um bônus de R$ 200 aos agentes de saúde”, disse Taques.
Para o presidente da AMM, Neurilan Fraga (PSD), o aplicativo é um instrumento que vai auxiliar os poderes públicos e a população a registrarem denúncias dos focos de mosquitos Aedes aegypti.
“O cidadão tira a foto e lança no aplicativo. Ele repassa para a Defesa Civil, em Brasília, as informações dos estados e dos municípios para que os agentes de saúde vistoriem o local com possíveis focos. É uma ferramenta inovadora no combate ao mosquito Aedes aegypti”, disse Fraga.
Segundo Neurilan, mesmo com a visita dos agentes de saúde nos possíveis focos dos mosquito, alguns locais passam despercebidos.
“Mas com a foto no celular, por meio do aplicativo e do GPS, ele manda as informações às autoridades, a resolução dos problemas fica mais fácil. Acredito que isso vai ter uma resolução mais eficaz”, acredita Neurilan Fraga.
A secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Maria Salete Ribeiro, afirmou que este ano, em Mato Grosso, de acordo com o Boletim Epidemiológico, foram registrados 16.319 casos de dengue, chikungunya e zika. Em 2015, por exemplo, foram notificados 5.150 casos no mesmo período. O aumento foi de 216%.
Conforme Maria Ribeiro, o estado está em alerta pelo aumento nas notificações de casos suspeitos das três doenças. Em relação à zika vírus, 14.161 casos suspeitos foram notificados. No ano passado foram 9.092 casos. Sobre a febre chikungunya, foram registrados 704 casos suspeitos neste ano, com incidência de 22 casos por 100 mil habitantes. No ano passado, foram 316 casos.
“A saúde e a educação são fundamentais para vencer essa batalha. É uma ação coletiva. Todas as áreas precisam tomar atitudes e erradicar os criadouros. Esse aplicativo será mais um instrumento para localizar os possíveis focos dos mosquitos transmissores”, afirmou Maria Salete.
O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Wilson Santos (PSDB), lembrou que o Brasil já erradicou várias doenças como, por exemplo, a poliomielite, e por isso todos os 141 municípios mato-grossenses têm que estar engajados nessa guerra, erradicando os focos de proliferação do Aedes aegypti.
“As igrejas católicas e evangélicas precisam entrar nessa batalha. Eles formam um exército de padres e pastores que podem informar sobre a ameaça que o mosquito Aedes aegypti representa à população”, disse Santos.

















