Quem passa diariamente pela Rua Rio Branco, um pouco acima da feira da Vila Aurora, já reparou que em frente a um pequeno sobrado tem uma sombrinha bem interessante.
O endereço é a casa de número de 348 e pertence ao seu Sebastião Ribeiro da Cruz de 88 anos. A reportagem do Primeira Hora foi até a residência do Tião, como é chamado na região ,para conhecer um pouco mais de sua área verde, de apenas de 2m²,mantida na calçada de sua residência.
De longe é possível observar um emaranhado verde. De carro imagina-se que a cena é um encontro de duas ou três plantas. Mas a poucos centímetros é possível notar que a variedade cultivada pelo morador, passa de 30 espécies. “Aqui tem algodão, coqueiro, pitanga, laranja, pinha, salgueiro, alfavaca, tipi guiné, boldo, mastruz e tantas outras”, conta.
A produção começou há várias décadas e foi herdada da mãe. Logo que mudou para o endereço atual, há 43 anos, Tião procurou um local para produzir sua área verde. Por falta de espaço dentro da casa, iniciou o plantio na calçada mesmo. “Isso aqui é bom demais, passo grande parte do meu dia sentado aqui, debaixo dessa sombra, observando o movimento, recebendo amigos. As plantas cresceram uma por cima da outra, não passa praticamente nada de sol, fica gostoso, não faz calor de jeito nenhum”, afirma.
O aposentado não compreende por que a população local perdeu o hábito de cultivar e preservar o verde em suas residências. “A cidade está cada dia mais quente, tem muita poeira e vento seco. Isso tudo é provocado por falta de árvores. Quem é mais antigo lembra que Rondonópolis ventava, era bem mais fresco. Hoje todo mundo só vê beleza no cimento e na tinta, ninguém lembra mais de plantar, cultivar uma sombrinha. Fico muito chateado quando vejo alguém cortando uma árvore sadia, por questão de beleza. As plantas só nos trazem benefício”, alerta.
Os benefícios chegam pela proteção dos raios ultravioletas do sol e pelo aproveitamento medicinal de várias ervas plantadas no espaço. “Todo o dia, vem uns dois três pedir um boldo, uma carqueja, mastruz e outras que tenho por aqui. Comigo não tem problema, cultivo para minha família e os amigos que pedem. Alguns probleminhas de saúde podem ser resolvidos somente com um chá e muita gente nem sabe disso e se entope de remédio”, comenta.
Embora esteja perto dos 90 anos, Tião afirma que ainda tem muita disposição para ampliar sua produção, o que falta é a área. “Gostaria muito de produzir plantas medicinais, para doar para o povo. Não precisa de muito terreno e nem da trabalho. Séria uma tarefa que faria com muito prazer”, finaliza.



















