Após 80 anos de casamento, idosa com Alzheimer só reconhece seu marido

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Aos 97 anos, dona Genésia Genebrina Soares de Araújo tem uma família gigante: são 103 descendentes entre filhos, netos, bisnetos e até tataranetos. Mas, vítima de Alzheimer há seis anos, ela só reconhece uma pessoa. Seu marido.

A vida ao lado de Luiz Gonzaga de Araúo começou cedo, há 80 anos. Os dois se casaram em 1936, contra a vontade da família dela, de melhores condições financeiras. Movida pelo amor, se mudou com ele para uma casa no quintal de seu sogro.

Desde 2009, porém, Genésia é vítima de Alzheimer. Hoje, a moradora de Natal no Rio Grande do Norte, vive quase que em tempo integral na cama de hospital. O único fio de lembrança que mantém com a vida que viveu é Luiz.

Quando questionada sobre sua vida, dona Genésia não se lembra de absolutamente nada. Segundo Rita Maria, a filha caçula do casal, a mãe só reage positivamente quando questionada sobre o casamento. Ao ser indagada sobre quem é seu marido, responde sem titubear: Luiz Gonzaga.

Já Luiz, hoje com 100 anos, passa os dias relembrando os casos que viveu com a mulher. Conta que eles sempre foram de conversar muito e que ela adorava, assim como ele, ler. Para os médicos, o hábito foi crucial para que a doença demorasse para a avançar em Genésia.

Segundo a família, a situação da senhora de 97 anos piorou mesmo há três anos, quando um de seus filhos morreu por conta de um câncer. Era o xodó da mãe, diz Rita Maria. Desde então a doença avançou e somente a lembrança do marido, depois de 80 anos juntos, a mantém conectada como o que ela é, foi e viveu.