
O apartamento número 63 alugado pela família de seis brasileiros que morreu no Chile na noite de quarta-feira (22) estava sem vistoria há 15 anos, segundo apurou a reportagem da NSC TV, em Santiago, sobre as primeiras avaliações realizadas pelas autoridades. Bombeiros chilenos suspeitam que um vazamento de monóxido de carbono tenha provocado a intoxicação e causado as mortes dos turistas.
Segundo os moradores, o prédio tem mais de 50 anos. O encanamento de gás natural do edifício foi feito anos atrás e o apartamento não teria recebido esta estrutura, informaram vizinhos para a equipe da NSC TV.
Funcionários do Serviço de Eletricidade e Combustível (SEC), órgão estatal responsável por avaliar as condições das edificações, atribuem selos de certificação nas cores verde, bege e vermelho, de acordo com o funcionamento hidráulico, elétrico e de gás. Conforme o órgão, o imóvel tinha selo vermelho, e por isso não estaria em condições adequadas para ser alugado.
Ainda segundo o serviço, os proprietários que devem pedir as vistorias e há 15 anos o dono não realizava a solicitação. As autoridades chilenas também investigam a possibilidade do apartamento ter sido sublocado.

A empresa Airbnb, que alugou o apartamento, informou que vai arcar com o traslado dos corpos, e que também presta assistência aos responsáveis por oferecer o apartamento – a identidade do locador não foi revelada.
Hipóteses
O comandante da polícia chilena, Rodrigo Soto, disse ao jornal “El Mercurio” na quinta-feira (24), que os policiais encontraram um forte cheiro do gás quando entraram no apartamento. Bombeiros ainda fazem perícia para comprovar o vazamento. Eles trabalham com 3 hipóteses: pode ter vazado do aquecedor de água, do aquecedor geral ou do gás de cozinha.
Ao todo, 25 bombeiros chilenos participaram da ocorrência e o prédio foi todo evacuado durante o atendimento. Pelas condições que foram encontrados os corpos, se presume que a intoxicação aconteceu muito tempo antes informou o comandante do Corpo de Bombeiros de Santiago, Diego Velasquez.
A equipe da NSC TV teve acesso ao prédio onde a família foi encontrada morta. No andar de cima, a porta do apartamento exatamente acima foi arrombada pelos bombeiros. Os socorristas disseram ao morador que a concentração de monóxido de carbono no local seria o suficiente para matar uma pessoa. Ele não estava no momento em que houve o arrombamento.
Os bombeiros também trabalham com a hipótese de que o aquecedor de água do apartamento dos brasileiros poderia estar jogando monóxido de carbono para dentro, em vez de para fora da moradia.
Traslado
O advogado da família, Mirivaldo Aquino de Campos, disse na manhã desta sexta-feira (24), que as autoridades chilenas confirmaram a morte dos turistas, por inalação de monóxido de carbono.
As autópsias dos corpos foram feitas na quinta-feira (23) e os trabalhos seguem para a fase de reconhecimento, explicou Campos.
“Hoje será definido quem fica responsável por fazer esse reconhecimento dos corpos. Se pode ser o consulado brasileiro e se precisa ser algum parente. Quem define isso são as autoridades chilenas”, disse Campos.
Os corpos estão no SML, como é chamado o Instituto Médico Legal (IML) no Chile. Atualmente, o órgão está funcionando com a metade dos funcionários. Ainda não há previsão de quando os corpos serão levados para o Brasil.
O Consulado do Brasil em Santiago disse que está acompanhando de perto todos os trâmites legais junto às autoridades chilenas.
O Ministério das Relações Exteriores afirma que não há previsão legal para o pagamento desse procedimento. Também informa que quando um cidadão brasileiro morre no exterior e sua família opta por trazer seus restos mortais ao Brasil, os consulados brasileiros sempre procuram apoiar, mediante expedição de documentos, como atestado de óbito por exemplo, e tentam agilizar os trâmites.
Velório
A família dos seis brasileiros encontrados mortos no Chile afirmou que tem a intenção de fazer um velório coletivo quando os corpos chegarem a Biguaçu, na Grande Florianópolis.
Cinco das vítimas eram catarinenses e uma, goiana. Um casal e os dois filhos adolescentes moravam no Balneário de São Miguel em Biguaçu, na Grande Florianópolis. O segundo casal, formado pelo irmão e a cunhada da mãe da primeira família, residia em Hortolândia, no interior de São Paulo, desde 2016. As vítimas são:
- Fabiano de Souza, 41 anos (Pai dos adolescentes e marido de Débora. Ele trabalhava como pedreiro e pescador)
- Débora Muniz Nascimento de Souza, 38 anos (Mãe dos adolescentes e mulher de Fabiano. Ela trabalhava como coordenadora pedagógica em uma creche no bairro Estreito, em Florianópolis, entrou de férias no dia 17)
- Karoliny Nascimento de Souza, 14 anos (Filha de Fabiano e Débora. Ela completaria 15 anos nesta semana e estudava no 1º ano do ensino médio, em Florianópolis)
- Felipe Nascimento de Souza, 13 anos (Filho de Fabiano e Débora. Ele estudava no 9º ano do ensino fundamental, em Biguaçu)
- Jonathas Nascimento, 30 anos (Catarinense, irmão de Débora e marido de Adriane, que residia em Hortolândia. Ele era chefe do Departamento Pessoal do Instituto Adventista de Tecnologia e estava de férias)
- Adriane Kruger (Goiana, mulher de Jonathas e morava em Hortolândia. Era formada em engenharia civil)
-
Aniversário
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, a família estava em Santiago para comemorar o aniversário de um dos filhos, Karoliny Nascimento, que completaria 15 anos na sexta-feira (24). Uma das vítimas também estava de férias.
Mãe de vítimas morreu horas antes

Débora e Jonathas estão à direita de Iete Isabel Muniz — Foto: Instagram/ Divulgação Pouco antes da morte da família, a mãe de Jonathas e Débora morreu em Florianópolis. Parentes que estavam no Brasil chegaram a comunicá-los por telefone sobre a morte dela, mas perdeu o contato com o grupo logo em seguida.
Iete Isabel Muniz Nascimento morreu de câncer, segundo o Instituto Médico Legal (IML). Ela foi velada e cremada nesta manhã em Palhoça, na Grande Florianópolis.



















