Aos 15 anos e com 1,33m de altura, ginasta Flávia Saraiva ganha bronze

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Quando Flavinha acerta, aplausos. Se Flavinha comete algum erro, mais aplausos. Com apenas 1,33m, a brasileira de 15 anos conquistou o público que compareceu ao Coliseu de Toronto. Na final do individual geral, a prova que reúne os quatro aparelhos, a promessa da ginástica ficou com a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos, com 57.050 na soma. No entanto, Flávia Saraiva é a campeã do carisma. Só teve menos apoio da torcida do que a anfitriã, a canadense Ellie Black, que ficou com o ouro (58.150). A americana Madison Desch foi prata (57.450). Outra representante do Brasil, Daniele Hypolito teve atuação constante e ficou com a quinta colocação.

– Eu me considero muito carismática (risos). Sou feliz, né? Me sinto mais feliz assim, gosto de competir assim. Me sinto mais calma – brincou a jovem atleta, que está ainda em seu primeiro ano na categoria adulta.

Carismática assumida, Flavinha fica com o bronze (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

No domingo, as duas brasileiras haviam conquistado a medalha de bronze por equipes. Ao lado de Lorrane Oliveira, Letícia Costa e Julie Kim, elas ficaram atrás de Estados Unidos e Canadá. Flávia ainda briga por medalhas nas finais de solo e trave. Hypolito, por sua vez, ainda lutará no salto e no solo. As finais acontecem neste terça e quarta-feira.

Desde o primeiro dia de competições em Toronto, Flavinha vem roubando a cena. Com o mesmo sorriso com que completou toda a prova, Flávia Saraiva disse que não esperava o resultado e dedicou o pódio para a amiga Rebeca Andrade, outra jovem promessa da ginástica, que ficou fora do Pan por uma lesão.

– Eu não tenho nem palavras para dizer o que estou sentindo. É uma felicidade imensa. Essa competição está sendo muito importante. Todas as competições são um treino para 2016. Eu sempre dedico. A Rebeca estaria aqui hoje, competindo junto comigo e estaria feliz – disse.

A última medalha da ginástica brasileira no individual geral em Jogos Pan-Americanos havia sido de Daniele Hypolito, em 2003. Após o pódio da caçula do time, a experiente atleta de 30 anos celebrou. Não somente sua atuação positiva, mas a evolução de Flavinha.

– Realmente, esse ano o Pan é dela. Estamos fazendo nossa parte porque é uma equipe muito forte. O resultado dela é um resultado nosso. E não tem como não ficar muito feliz – disse Dani.

Aparelho por aparelho

Flavinha iniciou sua disputa no salto. Conseguiu a nota de 14.200 e terminou a primeira rotação na quinta colocação. Dani, por sua vez, abriu a disputa nas assimétricas, com 13.150 e seguiu para seu segundo aparelho na oitava posição. Mas o carisma acompanhou Flavinha para as assimétricas.

Flavinha exalando simpatia e carisma (Foto: Eric Bolte/Reuters)

Não foi sua melhor apresentação, mas assim que conseguiu concluir sem quedas, ganhou uma salva de palmas das arquibancadas. A pequena brasileira acenou com as mãos para a torcida e ganhou mais carinho. Com a nota de 13.800, foi para o terceiro aparelho provisoriamente na terceira colocação. Na mesma rotação, a experiente Dani concluiu bem sua série de trave 14.050 e seguiu em quinta.

A promessa Flavia foi para a trave, aparelho que conseguiu a melhor pontuação na classificatória. Desequilibrou, precisou se apoiar, mas conseguiu se manter e concluir a apresentação sem cair. Entre mais aplausos, ganhou 14.400 e seguiu para a última apresentação, no solo, como terceira colocada.Bem constante, Daniele Hypolito foi para o solo e somou mais 13.950 em sua pontuação geral, seguindo em quinta.

Na quarta rotação, Flavinha foi para o solo depois da canadense levantar o público, mas não deixou barato. Sua apresentação agradou e foi acompanhada de palmas. Com o 14.650 somado aos demais aparelhos, manteve a terceira colocação. Dani fez uma bela apresentação no salto, tirou 14.100, flertou com a quarta posição, mas foi ultrapassada pela americana Amelia Hundley.

Hypolito ficou com a quinta colocação (Foto: Geoff Burke/Reuters)