
Agência reguladora americana avalia riscos reais que o silicone oferece à saúde das mulheres.
O implante de silicone é o procedimento mais realizado por cirurgiões plásticos mundo afora. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), foram feitas, em 2017, nada menos do que 1.677.320 cirurgias ao redor do globo, o que representa 15,6% do total de procedimentos cirúrgicos daquele ano. É a cirurgia mais comum nos EUA e no Brasil, os dois países onde mais se entra na faca.
Justamente por isso, discute-se cada vez mais os efeitos a longo prazo do silicone. Inclusive, é o que estão fazendo especialistas da FDA (Food & Drug Administration, a Anvisa dos EUA) neste momento. Entre segunda (25) e terça (26), um painel de médicos, pesquisadores, fabricantes e pacientes vai debater e revisar o que a literatura científica diz sobre a segurança dos implantes.

No último dia 19 de março, a FDA emitiu cartas de advertência a duas empresas que fabricam próteses de silicone: as americanas Mentor, uma das maiores do mundo no setor, e Sientra. De acordo com a agência, ambas falharam em conduzir estudos de longo prazo para analisar a segurança e os riscos de seus implantes. Essa era uma das exigências da agência antes de aprovar a comercialização dos produtos.

Segundo a FDA, é “impossível” determinar a incidência desse tipo de câncer nos EUA porque não há um registro oficial do número de implantes no país. As estimativas variam: talvez a doença atinja uma a cada 3 mil mulheres, talvez uma a cada 30 mil.

Outra questão que tem chamado a atenção das autoridades de saúde é a queixa frequente de pacientes que associam a presença da prótese no corpo a uma piora no sistema imunológico, além de sintomas como fadiga crônica, dor muscular e perda de memória. É a chamada doença do implante de mama (BII, em inglês), mas ainda não há provas de que uma coisa realmente leve à outra.
“Embora a FDA não tenha evidências definitivas de que as próteses mamárias estejam ligadas a essas condições, estamos buscando entender melhor essa questão para alertar sobre os riscos, minimizar os danos e ajudar no tratamento das pacientes afetadas”, disseram especialistas da agência em comunicado divulgado no último dia 15.
Fonte: BBC Brasil


















