O adolescente sírio Mazin Yusif, de 13 anos, perdeu 19 familiares no massacre com uso de armas químicas que deixou 86 mortos – incluindo 30 crianças – na cidade de Khan Sheikhoun, na última terça-feira (4).
Em entrevista à CNN, o menino contou que viu o avô passando mal no momento que teve a casa atingida pelo ataque. "Eu vi a explosão na frente da casa da minha avó e corri descalço até lá. Vi meu avô sentado e sufocando. Então eu fiquei tonto", relembra. "Perdi 19 familiares", acrescenta e cai no choro em seguida.
Resgatado, Yusif foi levado a um hospital em Reyhanli, cidade turca perto da fronteira com a Síria. O avô faleceu junto de primos do jovem. A mãe dele a avó permanecem internadas na unidade.
Responsabilidade
Nesta quinta-feira (6), o ministro turco Bekir Bozdag informou que as autópsias realizadas nas confirmaram o uso de armas químicas – até então tratadas como supostas.
"Fizeram autópsias em três corpos que foram levados de Idlib para Adana (sul da Turquia), e contaram com a participação de representantes da Organização Mundial da Saúde e da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). O resultado dos exames comprovou o uso de armas químicas", afirmou Bozdag, à agência de notícias turca Anadolu.
Bozdag atribui a responsabilidade pelas mortes ao presidente sírio, Bashar al Assad – que, por sua vez, nega envolvimento.
A Defesa Civil da Síria afirmou que o ataque expôs cerca de 300 pessoas a substâncias químicas, que provocaram asfixia, vômitos, espasmos, além de fazer as vítimas soltarem espuma pela boca.
Ontem (5), as fotos de um pai abraçado ao corpos de seus filhos, vítimas do ataque, comoveram o mundo e chamaram atenção para a guerra na Síria. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), quase 6 milhões de crianças sírias precisaram de ajuda humanitária desde o início dos conflitos no país, e quase 2,3 milhões vivem como refugiadas.

















