
Através do projeto Ponte Viva, a prefeitura de Florianópolis estuda como melhorar o aproveitamento do mais emblemático cartão postal da cidade, a Ponte Hercílio Luz. E uma ideia que vem ganhando força é a de liberar a circulação, em um primeiro momento, apenas para os ônibus. A proposta atenderia uma das diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que prioriza o transporte público nas cidades.
De acordo com o secretário municipal de Transporte e Mobilidade, Michel Mittmann, cerca de 16 linhas de ônibus começariam a circular pela ponte, sem passar pelo Ticen (Terminal de Integração do Centro). “Em uma segunda etapa, seriam incluídas linhas que vão até o terminal do centro, alterando um pouco as rotas do usuário”, explica.
Essa liberação ao tráfego deve ser feita de forma progressiva e a previsão é de atender um fluxo de 40 mil pessoas por dia. “Prevemos uma conexão direta
com a Beira-Mar Norte, com pequenas mudanças viárias e um corredor exclusivo que levará ao Ticen e, no futuro, a criação de uma pista para acessar a avenida Rio Branco e gerar novos serviços”, revela Mittmann.
No entanto, para permitir o acesso dos coletivos serão necessárias obras nos dois lados das cabeceiras da ponte. “Estamos finalizando os projetos executivos para poder lançar os editais de licitação dessas obras. A intenção é que tudo esteja pronto junto com a reabertura da ponte”, diz o secretário.
Antes de permitir a circulação dos ônibus, a prefeitura vai aguardar uma diminuição do fluxo de pedestres. A expectativa é de que 500 mil pessoas visitem o local, nos primeiros dias após a reabertura.
Menos carros, mais transporte coletivo
A medida poderia significar uma melhora na circulação dos coletivos, a diminuição do uso de carros e, consequentemente, menor demanda por estacionamentos nas ruas. Hoje, cada 10 carros carregam em média 13 passageiros em Florianópolis. Enquanto isso, quatro ônibus poderiam levar o equivalente a uma ponte inteira lotada de carros.

Segundo estudos da prefeitura, se a ponte for liberada para todos os veículos, em menos de três meses, já estaria saturada. Portanto, caso isso ocorra, será apenas para veículos compartilhados. “Também estamos estudando a possibilidade de permitir a presença do automóvel em horários alternativos. Isso serviria até como fator de segurança, porque à noite há menos linhas de ônibus e os carros poderiam evitar que o lugar fique quase vazio”, diz o secretário.
O poder público tenta reverter um quadro preocupante em relação à mobilidade urbana: de 2012 a 2016, a população da Capital aumentou 10%, mas o número de usuários de ônibus só cresceu 1% no mesmo período. São 40 mil pessoas que poderiam estar usando ônibus, mas não o fazem.
É importante lembrar que, além da agilidade no tráfego, melhorias no quadro de horários e rotas dos coletivos também fazem parte das questões de mobilidade. “Cada ponto que conseguimos atacar é importante para que a
mobilidade como um todo melhore”, diz.
Outro assunto que ainda será avaliado é a liberação da ponte como apoio quando alguma das outras duas pontes for bloqueada ao tráfego. “Caso isso venha a ocorrer, não queremos que se torne um fato irreversível e a gente volte a priorizar o automóvel individual sobre o transporte coletivo. Então, é preciso observar com muito critério e cuidado. Talvez seja possível, mas a operação será baseada em inteligência operacional”, diz o secretário.
Entrega em 30 de dezembro
Interditado há três décadas, o ponto turístico passou por infindáveis obras, mas agora a estrutura está 80% pronta. Centenas de homens trabalham diariamente manobrando guindastes, soldando, martelando e encaixando peças em cima da Ponte Hercílio Luz, com o intuito de cumprir o prazo previsto de entrega em 30 de dezembro.

Para ser reformada, a ponte foi colocada sobre apoios que sustentam seu peso, mas em breve, ela voltará a ser pênsil e sustentada pelas barras de olhal, e o enorme canteiro de obras será retirado.
Ela recebeu um novo piso, feito de placas de aço vazadas, que reduziu muito do peso original assentado sobre a estrutura. Também será toda pintada de cinza claro e ganhará passarelas dos dois lados, com 2,5 metros de largura cada, destinadas aos pedestres e ciclistas (anteriormente havia apenas uma passarela no lado norte). O que não muda, entretanto, é o fato de que a ponte continuará com apenas duas pistas de rolagem.
Com a reabertura, a Hercílio Luz deve se tornar uma grande atração turística, por isso, inicialmente, a prioridade maior será a circulação de pedestres. “É um patrimônio voltado à questão do resgate histórico, do turismo, da educação e do lazer, então, acho que a ponte vai trazer para a cidade e a região metropolitana um novo pulsar para a vida urbana”, afirma Mittmann.



















