“No Brasil parece que é pecado empreender”, reclama Maggi sobre excesso de burocracia

deputado faz cronologia das obras do vlt

Durante audiência púbica na Comissão de Infraestrutura do Senado (CI), ontem (14.10), para discutir os efeitos da Portaria 404/2012, da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) – que trata da cobrança pelo uso de águas públicas, o senador Blairo Maggi reclamou do excesso de burocracia que segundo ele, é um dos maiores entraves ao crescimento do Brasil.

“O sistema no nosso País parece que foi feito para impedir a expansão das empresas. Infelizmente no Brasil parece que é pecado empreender. A vida do empresariado brasileiro é um inferno, sendo que um País sem empresas não tem economia, não gera riquezas, simplesmente não cresce”, desabafou.

O debate incluiu a Portaria 110/2013 da Secretaria de Portos, que limita os investimentos em terminais portuários. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e empresários presentes também reclamaram da cobrança de nova taxa para uso de terminais portuários, de lagos e marinas e da burocracia exigida para ampliar os portos.

Maggi, autor do requerimento para realização da audiência, aproveitou a oportunidade para exemplificar um problema que levou mais de um ano para ser resolvido.

“Há 1 ano e quatro meses a empresa Hermasa entrou com pedido na SPU para instalar no Rio Amazonas uma balsa transportadora, que é o mecanismos para que as mercadorias cheguem aos navios e sigam para exportação. Eu peguei o documento de solicitação e fui pedir providências a todos, andei atrás, pedi, enfim, fico pensando quanto sofre o cidadão comum, o pequeno empresário, que às vezes espera anos e anos a autorização ou liberação de algum documento que simplesmente entrava todo processo”, expôs.

O senador sugeriu a criação de um Decreto Legislativo para dar agilidade aos procedimentos. “Os protocolos precisam existir, ninguém é contrário a isso, mas para ajudar e não para atrapalhar. Nos outros países quando você decide fazer um investimento o Estado propõe, se abre, ajuda, porque reconhece a importância do setor no seu crescimento econômico e social”, comparou.

O mato-grossense aproveitou ainda para encerrar sua participação alertando que o Governo não se sustenta e que a crise econômica vivenciada hoje no Brasil é reflexo disso.

“Estamos vendo agora nessa crise as empresas reduzindo seus tamanhos, demitindo pessoal e onde isso se reflete? Na arrecadação da União. Daqui a pouco o Governo não terá mais dinheiro e nem me refiro aos recursos para investir em obras, mas para pagar o próprio salário dos funcionários federais. O único setor que pode fazer isso é o empresariado, são os empreendedores, os profissionais liberais que geram riqueza suficiente para o Governo pagar suas despesas e honrar seus compromissos”, disse.